Sócio torcedor (?)

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Hoje vou falar sobre sócio-torcedor, um programa de assinatura que faz os torcedores de um time acharem que são uma coisa que não são: sócios.

Tenho visto um movimento de times do Brasil para venda de um plano de assinatura que leva um nome de sócio, mas se fomos ler os termos de contrato, vamos constatar o óbvio, não existe nada de sócio além do nome.

Isso mesmo, esses planos são muito mais parecidos com os antigos planos de assinatura de provedor de internet que existiam na primeira metade da década passada, ou com assinatura de revistas e jornais. Mas o SPFC resolver registrar um nome pra poder reforçar o argumento comercial, o nome é Sócio-Torcedor (sim, é uma marca São Paulina), na sequência vimos um monte de clubes fazendo referência ao termo sócio, só que sócio significa:

Sócio, ou sócia, é a denominação que recebe cada uma das partes em um contrato de sociedade. Mediante esse contrato, cada um dos sócios se compromete a aportar um capital a uma sociedade, normalmente com uma finalidade empresarial.

Também se chama de sócio cada uma das partes que trabalham conjuntamente em desenvolver um negócio empresarial, qualquer que seja a forma jurídica utilizada.

Também é denominado sócio um membro de uma associação. Nesse caso, não existe a finalidade empresarial, dado que a associação costuma ter uma finalidade social, cultural, desportiva, ou outras.

Se analisarmos bem, somente o terceiro ponto passa perto do que são os planos vendidos pelas agremiações, mas se você ler o estatuto de cada clube, vai descobrir que sócio é outra coisa: é o cara que compra o título de sócio e paga a manutenção desse título mensalmente, tendo como beneficio o acesso as áreas sociais e a possibilidade de participar, de maneira direta ou indireta, da politica desse clube.

Já os programas de sócios torcedores tem outra configuração:

  1. Gerar receita para os clubes;
  2. Oferecer descontos em ingressos e produtos com empresas que possuem acordos comerciais com o clube.

Resumindo, é um sistema de descontos e fidelidade, nada mais que isso.

Bom, tudo isso não é necessária mente ruim, mas na minha opinião isso e muito pouco, porque se eu assino uma revista, eu recebo ela na minha casa, idem para jornais, no antigo modelo de internet, a assinatura oferecia algo, mas nos modelos do futebol eu vejo como um ponto negativo, que deprecia a venda de ingressos.

Modelos de frequência e seus erros.

Vejo que alguns programas beneficiam os torcedores que possuem frequência nos jogos, que a primeiro momento parece ser justo, mas se analisarmos bem, é uma puta sacanagem, por quê? Bem, se eu sou assinante de um plano, que está adimplente e não vou aos jogos por qualquer motivo pessoal, mas que em um jogo importante resolvo ir, o que acontece?

Eu me ferro! Isso mesmo, me ferro! Porque a preferência será de quem usou mais o plano do que eu, resumindo, não vale a pena pra maioria dos torcedores, que não podem/desejam ter frequência nos jogos.

Por isso que eu ataco o modelo de focar nos ingressos.

Como deveria ser?

Acho que deveria ser como um fã clube, em que o torcedor pode ir aos jogos, pode comprar produtos, etc, mas sempre tem o cara que é aficionado, que pagaria pra ter ainda mais como: poder tirar foto com algum jogador, participar de uma partida de fim de ano no estádio entre fãs, ter acesso exclusivo a uma área VIP no estádio, ter acesso a estacionamento (isso é do caralho pra quem quer frequência em jogos), receber materiais exclusivos (com qualidade e não uma camisa de algodão estampada), poder comprar camisa autografada pelo time.

 

CONCLUSÃO

O desconto é bom? Pro torcedor é, mas pra um departamento de marketing é ridículo, porque a função dele não é dar descontos e sim agregar valor.

E o que vemos hoje é um monte de “sócios” insatisfeitos. Por que? Porque o modelo é ruim, ainda falta melhorar muitas coisas, principalmente seu conceito.