Calma, Trump é só mais um politico!

trump 720x514 Calma, Trump é só mais um politico!

Acompanhei as previa e a eleição nos EUA da maneira mais neutra possível só fez uma publicação no Facebook após a vitória de Trump, então agora resolvi fazer esse post pra falar sobre o que sempre pensei dele, mas que nunca vi ninguém falar.

O primeiro ponto que gostaria de destacar é que Donald Trump é mais um politico, mas o que isso significa?

Bom, significa que ele criou posicionamentos, falou coisas e fez promessas pensando em um cenário politico. SIM, ele estava em campanha, o pensamento dele e sua equipe foram em CAMPANHA e não em governo, algo tradicional entre políticos, até mesmo sua oponente Hillay Clinton.

Qual a diferença?

Pensando em estratégia, ele usou diversos conceitos tracionais das esquerdas pelo mundo e até alguns conceitos soviéticos. Minha intenção aqui não é defender e nem atacar Donald Trump. O que quero é apenas destrinchar parte da sua estratégia sob o MEU ponto de vista.

SUBVERSÃO FOI USADA E NINGUÉM PERCEBEU

yuri bezmenov 203x300 Calma, Trump é só mais um politico!Yuri Bezmenov, ex-jornalista da RIA Novosti e ex-informante da PGU KGB, que desertou para o Canadá nos anos 1970, passou a ministrar aulas, publicar livros e se tornou um militante anticomunista.

Ele apresentou em algumas de suas palestras o conceito e estratégia de SUBVERSÃO, começando pelos 6 pilares:

Religião – Educação – Vida Social – Estrutura de poder – Lei e ordem – Relações trabalho.

Lendo por cima, dá pra ver que Trump criou sua base argumentativa com algo muito semelhante a este modelo, mas claro, com diversas adaptações:

Religião – Ataque ao Islã

Educação – Fomentou parte da população americana (e até de outros países) a ler teorias e praticas diferentes do que aprendemos no meio acadêmico, que de maneira sutil está fazendo muitas pessoas repensarem a educação por lá.

Vida social – Atacou o politicamente correto de maneira direta como forma de atingir os movimentos de esquerda e principalmente a imprensa como movimento ativista.

Estrutura de poder – Essa é muito fácil, ele atacou o status quo sistematicamente, colocando até seu partido no meio dos ataques. Atacou também muitos corporativistas, incluindo a imprensa questionando a legitimidade do seu poder e sua tirania.

Lei e ordem – Quem não se lembra do debate em que ele ataca Hillary Clinton, dizendo que se a lei fosse acatada, ela deveri estar presa?

Relações de trabalho – Foi o principal pilar trabalhado nos palanques, em que ele criticava os acordos internacionais estatais, atacava imigrantes ilegais e principalmente a China.

É só um resumo, em cima de esses pilares poderíamos desenhar muitos mais pontos que eu chamo de ações táticas em cima de uma base conceitual.

ALCANCE DE MÍDIA AJUDA A DECIDIR

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Uma frase que já ouvi muitas vezes de participantes do meio politico e que também foi utilizada pelo Rafael Lima do canal Ideias Radical quando Luciana Genro figurava em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto nas eleições para prefeitura de Porto Alegre: “Espera o PMDB começar a gastar dinheiro com mídia que tudo muda…”

Pois é, Trump usou muito isso, mas não de maneira direta, comprando anúncios. Ele usou uma força do seu adversário a seu favor. Sabedor de que a maior parte da imprensa americana é partidária/simpatizante dos Democratas, parte da eleição seria para difamá-lo, o que de fato aconteceu. Então sua estratégia foi bastante simples: Controlar as critica dando assunto irrelevante do ponto de vista estratégico e, ainda por cima, se aproveitar do poder de alcance da imprensa para fazer o máximo de pessoas possíveis conhecê-lo.

Foi como um jogo de xadrez, ele sabia quais eram os 3 primeiros movimentos do adversário, então ele dava seus dois primeiros movimentos passando a sensação de que estava dentro da estratégia inimiga e no terceiro movimento ele derrubava toda a estratégia do oponente. Ou seja, ele falava uma frase que para os esquerdistas mais radicais parecia um escândalo, a confirmava e depois de ganhar a atenção ele explicava como isso atingia os americanos, convertendo muita gente.

Se sair perguntando por ai, a grande maioria não faz ideia de quem concorreu com Obama nas últimas eleições, e os que lembram que foi Mitt Romney, não fazem a menor ideia do que falar sobre ele. Entendeu agora o que o alcance de mídia é capaz de fazer?

ATACADOS NÃO TEM PODER POLITICO DIRETO

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A primeira pergunta é: “Pera ai, a estratégia dele na mídia não gera atrito e desgaste?”. E a resposta é um SIM  retumbante, mas existe uma questão que aparentemente foi ignorada por todos:  Imigrantes, principalmente os ilegais não têm direito a voto.

Outro detalhe que muitos falaram, mas os Democratas e a imprensa também deram pouco valor foi: Imigrantes legais não gostam imigrantes ilegais porque parte dos ilegais comprometem os legais. Esse ponto foi fundamental em regiões menos urbanizadas, ondem a imprensa não utiliza nas suas coberturas, porque americanos ouviam de imigrantes que concordavam com Trump e com isso a sensação de ‘malvado’ não apareceu tão forte. Já nas grandes cidades como Los Angeles e Nova York a sensação aparecia, mas mesmo atingindo a maioria, era por pouca diferença.

CONEXÃO COM O CIDADÃO MÉDIO

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Nesse ponto, Trump fez o básico do básico, ele deu atenção aos problemas reais do cidadão médio americano: Emprego, comida, violência e liberdade.

No palanque ele se preocupava em falar na cara do cidadão sobre os problemas de emprego, de salário, de competição, de controle do politicamente correto e de violência. Ele falava de coisas que os trabalhadores americanos, principalmente da região nordeste, sempre falaram, mas que nunca ouviram de um politico: Os acordos internacionais são ruins para o trabalhador, imigrantes ilegais são, em sua maioria, violentos, etc. E claro, não perdia a oportunidade de atacar a mídia e de falar algum absurdo.

Quando o cara que foi no discurso do Trump via os jornais, só encontrava frase polêmica, mas a parte que ele concordou nunca era apresentada, fazendo com que o ponto que ele ignorou virasse uma causa: A IMPRENSA MANIPULA.

A MAIORIA É NEUTRA

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Pois é, esse ponto era mais perceptível por nós no Brasil antes dos escândalos da Lava Jato. Mas se percebermos, a grande maioria não pesquisa sobre os políticos, não acompanha o noticiário politico e se pudesse, viveria sem isso!

Ai essa pessoa via de um lado o ativista tradicional e conhecido: Sindicalista, membro de ong e/ou adepto de alguma ideologia barulhenta como feminismo, veganísmo, naturalista, etc. E essa pessoa nunca se sentiu identificada com essa galera. Mas ela começou a ver do outro lado pessoas muito mais parecida com ela e que muitas vezes participam das suas vidas de maneira mais pessoal, tomando partido do outro lado, falando de mudança, reclamando de coisas que essa pessoa entende o sentido.

Então essa pessoa passa a fazer o que não costuma fazer: Se informar, porque ela sente que algo novo está acontecendo. E ela vê praticamente toda imprensa do lado de Hillary Clinton, então ela toma uma ação que foi prevista por Trump: Ela ataca aquela pessoa parecida com ela usando o que a imprensa publicou e de bate pronto ela ganha uma resposta simples e convincente: Vídeos da declaração completa de Trump, queixas de manipulação da mídia. Quando essa mesma pessoa joga isso para os ativistas-tradicionais, eles se recusam a ver o vídeo, a argumentar a respeito, a única resposta são palavras como fascista, racista, privilegiado ou gritos de ordem.

Pois é, meus amigos, o movimento politico deixa de ser movimento e passa a ser uma barreira. Eles deixam de ser inclusivos e passam a ser exclusivos.

COMPETENTE X INCOMPETENTE

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Quando começamos a estudar estratégia para campanhas politicas, vemos que se trata de uma guerra de narrativas. Em como em qualquer guerra, conhecer o oponente, entender os pontos de paridade e diferenciação, saber escolher onde devem ser os ataques e o principal, usar a força do inimigo contra ele mesmo, é a lição de casa. Nisso Trump fez outra jogada de mestre, explico:

Ao perguntar para um Trumpista ativo por que eu não poderia votar em Clinton, a respota era toda baseada nas coisas erradas que ela fez, nos maus resultados e na dúvida sobre sua capacidade.

Ao perguntar para um Hillarista ativo por que eu não poderia votar em Trump, a resposta era baseada em insultos e o principal, nas promessas dele, mas diferente do que estamos acostumados, onde duvidamos da palavra do politico, a argumentação pressupunha que Trump faria tudo o que prometeu.activist anti trump 300x200 Calma, Trump é só mais um politico!

Não sei se você já tinha pensando nisso, mas fica clara a sensação de que ela era incompetente e ele competente. O Trumpista não precisava convencer ninguém que Trump era um homem de palavra, mas todo Hillarista tinha que ficar defendendo que ela seria capaz!

Em quem você prefere votar? No bem sucedido, competente (os opositores confirmando isso o tempo todo) e homem de palavra; OU na incompetente, com diversos fracassos e que você duvida que faça o que prometeu?

E claro, o subconsciente de uma pessoa trabalha com associação simples, por exemplo: quente ou frio, ruim ou gostoso, alto ou baixo e assim por diante. O que foi colocado para os americanos é que Trump era esperança e Hillary era o medo. Isso também fez muita diferença.

CAMPO DE BATALHA

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Agora seguindo a linha conceitual de Sun Tzu, Trump sempre escolheu onde seriam os confrontos, afinal, ele criava suas próprias polêmicas de maneira estratégica. Ele sempre decidiu quando teria assunto e quando não teria e o principal, Trump sempre lutou no campo de batalha que ele escolheu. As pautas de esquerda mais fortes: Educação, redistribuição de renda e saúde nunca foram o foco das discussões. O tema sempre se concentrava em competência, preconceito (tema muito genérico e intangível) ou no vitimíssimo que o próprio Trump criou para si.

FUTURO

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Trump segui a risca as fases da subversão, mas fez quase tudo (de maneira adaptada) em 2 anos. As fazes foram: Desmoralização > Desestabilização > Crise e agora ele entrará na fase de Normalização.

Alias, a fase de normalização já começou a ser executada, o maior exemplo é essa publicação da EXAME onde Trump está apagando o fogo opositor que sobrou. Não porque ele pretende mudar a opinião dos ativistas de esquerda, isso não é necessário! O que ele deseja fazer é reduzir a histeria o máximo possível.

RESUMO DA OPERA

Trump é só mais um politico que lançou uma estratégia de campanha politica baseada na guerra de narrativa e agora que venceu, fará o que todos os políticos vencedores sempre procuram fazer: POLITICA.

Ele usou estratégias famosas na esquerda como: vitimismo, trabalhismo e anti-corporativismo, ele também usou subversão e controle da narrativa baseado no que seus opositores falavam, mas ao invés de focar em Hillary Clinton, ele comprou briga contra grandes empresários e a imprensa, tudo que as esquerdas costumam fazer em todas as partes do mundo. O partido Democrata e seus apoiadores ficaram simplesmente perdidos, fazendo ataques aleatórios, principalmente os que o próprio Trump oferecia como válvula de escape, enquanto ele focava na sua plataforma por diversas cidades americanas. 

Claro que não estou defendendo ou atacando nenhum candidato, eu apenas estou desenhando o que aconteceu, segundo meu ponto de vista. Mas espero que esse texto sirva pra você pensar sobre estratégia e não sobre ideologias ou politica! Ah, Trump não venceu porque o mundo está acabando, ele venceu porque colocou um plano estratégico em prática e funcionou!

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