Manifestação hoje em SP contra o aumento da passagem, mas será que aumentou mesmo?

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Estamos vendo diversas manifestações em São Paulo contra o aumento da passagem do trasporte público, esse movimento é encabeçado pelo MPL e tem colaboração de diversos partidos políticos que fazem parte da base de apoio do prefeito, mas a dúvida que fica é: Será que essa reivindicação é solida?

Manifestações que param grandes avenidas, que quase sempre acabam com muita violência, depredação pública e privada. O povo, que teoricamente seria o maior interessado no ato, não participa, afinal, precisa trabalhar, e para piorar tudo, enfrenta grandes dificuldades, no meio da semana, para chegar em casa, sendo que no dia seguinte precisa acordar cerdo para trabalhar.

A grande maioria dos manifestantes, se dizem representantes do povo (não foram eleitos por ninguém) e que defendem os mais pobres, será que defendem mesmo?

Ver apenas o ajuste nominal da tarifa é um grande erro!!!! Se fizermos uma analise simples, comparando com o salário minimo, que é o valor que os trabalhadores mais pobres (e maiores utilizadores do transporte público) recebem, mais chegar a uma conclusão bastante interessante:

Em 2015 o valor da tarifa era R$ 3,50 e o salário mínimo era R$ 788,00, ou seja, o trabalhador teria que dar (teoricamente) 0,444% do seu salário por uma passagem. Já em 2016, o valor da tarifa é de R$ 3,80 e o salário mínimo é R$ 880,00, ou seja, o trabalhador passou a dar 0,432% do seu salário em uma única passagem.

Resultado: Na pratica, mpl Manifestação hoje em SP contra o aumento da passagem, mas será que aumentou mesmo?houve uma redução de 0,012% no valor unitário da passagem.

Se quisermos comparar com outro indicador: a inflação média da cidade de São Paulo foi de 11,07% em 2015, já o aumento da passagem foi de 8,57% em relação ao ano passado. Isso mesmo, o aumento foi a baixo da inflação, o que faz com que o valor na pratica seja menor do que em 2015.

Temos uma manifestação em cima de um tema MENTIROSO, porque na pratica a passagem não aumentou, ela diminuiu!

Agora vamos abordar algo mais interessante ainda: A grande maioria dos usuários de transporte público da cidade de São Paulo são pobres e trabalhadores, mas a condução é paga pelo seu empregador (conforme determina a CLT), fazendo com que o ajuste não impacte essa classe menos favorecida e sim quem os contrata.

Os estudantes são uns do grupos (tirando partidos políticos, que são maioria) mais engajados nessas manifestações, mas devemos lembrar que grande parte deles estudam perto de casa e os que estudam longe (maioria), é por opção própria, também vale lembrar que eles são BENEFICIADOS por subsídios do governo, que sem dúvida nenhuma é um PRIVILÉGIO para poucos e que sem essa mamata, o preço da passagem seria menor para o resto da população.

A dúvida que fica é: A manifestação atende realmente a quem?

EXTRA: Outra questão que devemos levar em consideração é a argumentação, que muitos estão fazendo, de que o transporte é um direito constitucional, e é mesmo! MASSSSSS Wi-Fi grátis e tomada no ‘busão’ são? Será que não tem como otimizar o preço retirando esses serviços dispensáveis para o transporte?